Um dia deses eu estava navegando pela internet e descobri no Flickr o trabalho de uma menina grafiteira, isso mesmo uma menina grafiteira. Gostei tanto do traço (traço no graffiti é o termo utilizado para expressar o estilo e identidade do desenho) que fui atrás pra saber de quem era e se possível divulgar aqui no blog. Não só descobri como rolou uma entrevista, feita por e-mail.

Conhecida como “Lirou” ou “Little”, Luciane Miranda nos contou um pouco de sua história no Graffiti e sobre sua caminhada com Cristo.
Confira a entrevista e fotos.
evom – Conte pra gente como você descobriu seu talento para o Graffiti.
Lirou – Bom, eu comecei a desenhar ainda muito cedo, antes mesmo de eu aprender a escrever. Minha mãe escrevia cartas para minha avó que mora no interior do Paraná e no final da carta pedia que eu fizesse um desenho colorido.
Depois meu irmão, que também desenhava, havia adquirido algumas revistas de Graffiti de SP (a revista dos Gêmeos, a FIZ GRAFFITI ATTACK) e alguns livros americanos (Spraycan Art e Subway Art) que apresentavam e contavam a história sobre essa arte de rua. Encantei-me com o que vi. Comecei a me informar mais e mais sobre o Graffiti e sobre o Hip Hop, passei a usar o dom de desenhar grafitando. Procurei interagir com o movimento na capital gaucha onde cresci e daí em diante para sair para as ruas foi um passo.
evom – Não é comum ver meninas grafitando aqui em São Paulo. Aí no Sul também é assim? Como é a cena do graffiti por aí?
Lirou – Na época que comecei, por volta de 1998, não havia uma menina sequer que grafitava e a única menina que eu tinha como referencia era a Nina Pandolfo e a Jana de SP, que admiro muito. Era algo novo para mim e para a cidade. Era novidade uma garota grafitando. Quando fui morar em Sampa em 2000 também não encontrei muitas meninas, mas nunca fui muito atrás de encontrá-las, sempre fui independente no graffiti, muitas vezes ia sozinha pintar em algum lugar ou então saia com os meninos que me davam apoio. Até o momento em Porto Alegre sei que algumas meninas grafitam e apresentam trabalhos bem significativos. E sempre acompanho alguns trabalhos de meninas de Sampa, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro.
evom – Você já foi discriminada por ser uma menina que grafita?
Lirou – Acredito que não, pelo contrário, sempre senti certo apoio e cuidado excessivo que eu nem gostava muito. Sempre vi o graffiti como um desafio, com dificuldades e prazeres. O que rola na verdade não sei se podemos chamar de preconceito, mas ocorre que a menina que grafita tem que provar que está ali porque ama o que faz e faz porque está no sangue. Algumas meninas começam a grafitar por algum motivo passageiro, como por exemplo, quando começam a namorar um grafiteiro ou pensam na fama e no assédio dos grafiteiros. Logo passa um tempo e elas saem de cena, isso acontece com muita freqüência. Então acho que é por esse motivo que os meninos ficam um pouco curiosos e ao mesmo tempo desconfiados com meninas que resolvem grafitar. Mas eu nunca me encanei com isso, acho que as regras são as mesmas para ambos os sexos. Não me importo muito com o que pensam de mim por ser grafiteira, atualmente não tenho muito convívio com outros grafiteiros, então não sei muito bem o que pensam sobre mim ou sobre ser grafiteira.
evom – Como foi seu primeiro contato com Cristo e com o evangelho?
Lirou – Ah, essa pergunta é extremamente importante. Eu vivia em uma vibe louca, onde não tinha muitos limites, nem regras nem noção de nada. Como artista eu achava normal ter certas “crises existenciais”, de ser depressiva, de ter dificuldades de relacionamentos interpessoais, de ser complexada por traumas de infância e com o tempo meus problemas foram se agravando. Um pouco antes de conhecer o Senhor Jesus, meus desenhos estavam peturbadíssimos, eram meninas enforcadas, chorando, bailarinas sem os membros inferiores. Vivia em baladas e quase não conseguia cumprir meus deveres diurnos, perdi várias oportunidades artísticas no graffiti justamente por levar uma vida desregrada. Então durante uma dessas crises, fiquei 3 anos sem desenhar nada de nada, saí de cena por vergonha dos muitos problemas que enfrentava. Um rapaz que era meu amigo falou da palavra de Jesus e do amor de Deus para mim. Na hora não levei muito a sério, mas em pouco tempo já estava freqüentando reuniões em uma igreja evangélica. Foi a minha melhor opção. Aí foi isso, tive um encontro com Deus e minha vida mudou completamente.
evom – Você insere a mensagem do evangelho em seus graffitis?
Lirou – Eu faço parte de um grupo na igreja chamado 4E (4 Elementos) que utiliza o Hip Hop para divulgar a palavra de Deus e quando faço graffitis em eventos eu sempre incluo uma palavra ou uma passagem do evangelho. Faz pouco tempo que voltei a grafitar. Mas só meu testemunho de mudança, os meus desenhos atuais com aparência feliz e de bem com a vida já demonstram que para Deus não há impossíveis e que todos tem uma chance de mudança total e completa de vida. E o mais interessante é entender que somos livres, podemos ser jovens normais que levam uma vida normal, porém tementes a Deus.
Evom – Como é a relação com sua família no que diz respeito ao graffiti? Eles aceitam numa boa, ou não gostam?
Lirou – A minha mãe no começo ficou meio confusa e estranhou bastante o fato de ter uma filha diferente, meu irmão também grafitava naquela época (hoje não mais), então ela teve que aceitar de qualquer forma, era dois contra um. Hoje ela apóia, guarda meus materiais, divulga para as amigas dela, e demonstra um grande reconhecimento do meu trabalho. Os outros integrantes até onde eu sei acham legal ter uma “artista” na família.
evom – Quais seus planos para o futuro com o graffiti?
Lirou – Pretendo crescer como artista, grafitar em outros países, viver da arte. Acredito que tem muita coisa ainda para ser explorada no graffiti. E o mais importante que agora eu tenho um rumo certo, de forma coerente e regrada, glorificando ao Senhor Jesus.
evom – Você gostaria de deixar alguma mensagem pra galera que gosta de graffiti e está iniciando?
Acredito que o que eu poderia dizer de mais valido é que temos que abrir nossa mente e nossa visão. E não nos limitarmos apenas ao Hip Hop, pois apesar de o graffiti ser um dos quatro elementos, ele vai mais além, há muito que se explorar nas ruas, nas galerias de arte, nos trabalhos seculares. Não se contente em saber pouco, vá atrás da informação. Hoje em dia temos uma facilidade maior de encontrar material para grafitar, de obtermos informações valiosas na internet e a aceitação positiva das pessoas é muito grande. E respeite a todos, tanto quem leva o graffiti para o lado do vandalismo, ou quem leva mais para o lado artístico da coisa. O graffiti nasceu nas ruas e não vai deixar as ruas por nada, mesmo tendo invadido as galerias de arte. E ele nasceu do vandalismo, do protesto, de uma parte da sociedade que sofria muito preconceito e dificuldades de expressão. Não estou dizendo que concordo com o vandalismo, e nem posso apontar o dedo até porque eu já fiz graffitis ilegais (hoje jamais faria de novo). Cada um vai prestar conta no futuro sobre as atitudes que toma aqui na terra, não devemos julgar ninguém. Deus é o justo juiz.
Agradeço a Deus por ter me dado esse talento maravilhoso e agradeço a todas as pessoas que me apóiam e que me incentivam a continuar lutando por meus sonhos. Valeu EVOM, que Deus abençoe vocês, obrigada de verdade pelo espaço.
Para o pessoal do 4E: fiquem firmes nunca desistam, pois Ele não falha!
Lirou
Nome: Luciane Miranda
Idade: 33 anos
Onde mora: São Leopoldo – RS
Grafita desde: 1998
Contatos: luciane.apmiranda@gmail.com
www.forcajovembrasil.com.br/profile/Luciane29
Lú, obrigado pela entrevista e o nosso desejo é que Deus continue te dando muita inspiração.
Vejam abaixo algumas fotos dos graffitis da Lirou e acesse também o canal dela no Flickr.





Olá Rhaissa,
Entre em contato com a Luciane. Os contatos dela estão no post.
Abs!
eu estou fazendo trabalho da faculdade sobre graffiti , preciso entrevista o grafitteiro.